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sábado, 18 de junho de 2011

Arnaldo Jabor - o gênio do cotidiano...

Relacionamentos

Arnaldo Jabor


Sempre acho que namoro, casamento, romance tem começo, meio e fim. Como tudo na vida. Detesto quando escuto aquela conversa:-

'Ah,terminei o namoro...'
- 'Nossa,quanto tempo?'
- 'Cinco anos...Mas não deu certo...acabou'
-É não deu...

Claro que deu! Deu certo durante cinco anos, só que acabou. E o bom da vida, é que você pode ter vários amores. Não acredito em pessoas que se complementam. Acredito em pessoas que se somam. Às vezes você não consegue nem dar cem por cento de você para você mesmo, como cobrar cem por cento do outro? E não temos esta coisa completa. Às vezes ele é fiel, mas não é bom de cama. Às vezes ele é carinhoso, mas não é fiel. Às vezes ele é atencioso, mas não é trabalhador. Às vezes ela é malhada, mas não é sensível.Tudo nós não temos. Perceba qual o aspecto que é mais importante e invista nele.Pele é um bicho traiçoeiro. Quando você tem pele com alguém, pode ser o papai com mamãe mais básico que é uma delícia. E as vezes você tem aquele sexo acrobata, mas que não te impressiona...Acho que o beijo é importante...e se o beijo bate...se joga...se não bate...mais um Martini, por favor...e vá dar uma volta. Se ele ou ela não te quer mais, não force a barra. O outro tem o direito de não te querer. Não lute, não ligue, não dê pití. Se a pessoa tá com dúvida, problema dela, cabe a você esperar ou não. Existe gente que precisa da ausência para querer a presença. O ser humano não é absoluto. Ele titubeia, tem dúvidas e medos mas se a pessoa REALMENTE gostar, ela volta. Nada de drama. Que graça tem alguém do seu lado sob chantagem, gravidez, dinheiro, recessão de família? O legal é alguém que está com você por você. E vice versa. Não fique com alguém por dó também. Ou por medo da solidão. Nascemos sós. Morremos sós. Nosso pensamento é nosso, não é compartilhado. E quando você acorda, a primeira impressão é sempre sua, seu olhar,seu pensamento. Tem gente que pula de um romance para o outro. Que medo é este de se ver só, na sua própria companhia? Gostar dói. Você muitas vezes vai ter raiva, ciúmes, ódio, frustração. Faz parte. Você namora um outro ser, um outro mundo e um outro universo. E nem sempre as coisas saem como você quer...A pior coisa é gente que tem medo de se envolver. Se alguém vier com este papo, corra, afinal, você não é terapeuta. Se não quer se envolver, namore uma planta. É mais previsível. Na vida e no amor, não temos garantias. E nem todo sexo bom é para namorar. Nem toda pessoa que te convida para sair é para casar. Nem todo beijo é para romancear. Nem todo sexo bom é para descartar.Ou se apaixonar. Ou se culpar.Enfim...quem disse que ser adulto é fácil?

terça-feira, 7 de junho de 2011

Amor é prosa, sexo é poesia (Arnaldo Jabor)

                          



A pedofilia na Igreja
é consequência do celibato
                                           Arnaldo Jabor

Aprecio os escritores de excelência intelectual e que põem a nu seus pensamentos sem excessivos cuidados. Um desses escritores admiráveis é o colunista, comentarista e cineasta Arnaldo Jabor. Aprecio as crônicas de Jabor; aliás, tudo que expõe no ar no Jornal Nacional, exceto quando seus comentários se referem a questões sociolinguísticas. Nesse tocante, ele acaba por reproduzir os lugares-comuns e toda sorte de crenças, ideologicamente sustentadas, típicas do senso-comum. Mas, salvo isso, ele é um intelectual insigne.
Vou-me ocupar com a exposição de sua crônica A pedofilia na Igreja é consequência do celibato, que se topa no livro Amor é prosa, sexo é poesia. Quem não leu ainda este livro leia-o, pois é muito bom! Comecemos pelo título.
O título é já a sua tese: o celibato imposto aos padres acarreta a pedofilia. Jabor iniciará seu texto com as seguintes palavras:

“NO VELHO COLÉGIO de padres onde estudei, a entrada dos alunos já era um desfile de velada pedofilia. O padre-reitor – ahh... tempos antigos de batina negras, rosários nas mãos, panos roxos nos ombros, tristeza infinita nas clausuras – postava-se imóvel, na porta do colégio, numa pose severa, com os braços erguidos e as mãos de dezenas de meninos, beijando servilmente suas mãos abençoadas. Havia algo de viadagem naquilo, aquela negra batina imóvel, divina, como um manequim, as mãos beijadas com chilreios e devoção por mais de 500 meninos de calças curtas”
(p. 115)

E prossegue:

“Só se pensava em sexo naquele colégio. Eu via as mães dos alunos, lindas, com seus penteados e decotes imitando a Jane Russel ou a Ava Gardner, fazendo charme para os padres na força de seus verdes anos, enlouquecidos pela castidade obrigatória. E eu me perguntava: “Meu Deus... por que padre não pode casar?”
(pp. 115-116)
(grifo meu)

É uma boa pergunta esta que Jabor nos faz, não? Mas não sei se vale dar uma resposta sensata. À medida que nos permitimos entender o universo religioso, nos seus âmbitos ideológico, ritualístico, dogmático e ficcional, mais nos apavoramos com a sua indecência e fragilidade, para não dizer absurdo. A religião é um atentado contra a razão humana. Como bem diz o jornalista Christopher Hitchens, em seu best-seller deus não é Grande, a religião contamina tudo. Sugiro a leitura deste livro.
Mas, prossigamos. Escreve Jabor:

“Tudo era sexo no colégio, essa palavra terrível estava em toda parte, como uma ameaça vermelha; o diabo nos espreitava até detrás das estátuas de Santa Teresa em êxtase, nas coxas dos anjinhos nus, nos seios fervorosos das beatas acendendo velas. A pedofilia na Igreja é consequência direta do celibato. É óbvio que se a força máxima da vida é esmagada, a Igreja vira uma máquina de perversões. Claro. E de homossexualismo, visível em qualquer internato religioso. Outro dia, o Contardo Calligaris escreveu com paixão que a pedofilia não está só na carne do jovem assediado; a pedofilia é mais geral, abstrata, no prazer do domínio sobre os mais fracos, na pedagogia infantilizante das jovens ovelhas – como nos chamam os pastores de Deus – imoladas em sua inocência. Eu vi o diabo naquele colégio: rostos angustiados, berros severos e excessivos nas aulas, castigos sádicos, perseguições a uns e carinhos protetores a outros.”
(pp. 116-117)
(grifo meu)

Que força máxima da vida é esmagada? Ora, está claro: a libido. Não é ela a energia da vida? Lembra a lição de Freud? Reprimi-la explica as perversões, as doenças neuróticas. É um atentado contra a natureza! Um atentado cometido pela estupidez, pela ignorância!
Leiam a seguir sobre os traumas psíquicos causados pelas sandices religiosas numa criança. Aliás, Richard Dawkins, em seu Deus: um delírio, destina um capítulo para discutir os malefícios das histórias assustadoras que incluem o demônio e o inferno contadas, tradicionalmente, às crianças que se comportam mal.

“E esses mesmos padres nos diziam: “Cada vez que você se masturba, morrem milhões de pessoas que iam nascer. É um genocídio!” E, nós, além do pecado, sofríamos a vergonha de ser pequenos “hitlers” de banheiro”.
(p. 115)

Agora, Jabor vai direto ao que interessa.

“O problema da Igreja com o sexo leva-a a uma compreensão quebrada da vida, leva-a a aceitar a Aids, a condenar o aborto, o controle social da natalidade e a outros erros maiores”.
(p. 117)

E conclui:

“Uma das grandes desvantagens da Igreja Católica diante de outras religiões é o celibato. Daí, em cascata, surgem problemas que justificam a queda do prestígio da Igreja na era do espetáculo e da desconstrução de certezas. Rabinos casam, pastores protestantes casam. Budistas do it, xintoístas do it, hindus do it, mesmo muçulmanos do it; Let’s do it., pobres padres trêmulos de desejo, no meu remoto passado jesuíta e no presente do sexo massificado”.
(p. 119)